Enquanto Curitiba enfrentava uma noite de 9 graus e garoa, Lucas Bornemann já projetava o próximo desafio da temporada: o calor de Cuiabá. A quinta etapa da Copa Hyundai HB20 será disputada nos dias 31 de julho e 1º de agosto, com corridas à noite por causa das altas temperaturas. Para o piloto paranaense, será também a primeira experiência no traçado mato-grossense.
Em entrevista, Bornemann falou sobre a trajetória construída em diferentes categorias, os desafios financeiros e técnicos do automobilismo e o papel do PROESPORTE e da COPEL na manutenção de sua estrutura profissional. O apoio, segundo o piloto, trouxe mais segurança para investir na preparação física, na equipe e nos equipamentos necessários para competir em alto nível.
A temporada de 2026 ganhou um capítulo especial na etapa de Santa Cruz. Bornemann conquistou sua primeira vitória na categoria Pro da Copa HB20 e também venceu a classificação geral da prova. O resultado vinha sendo perseguido desde o ano anterior, quando retornou à categoria após uma passagem pela Copa Truck.
Mesmo com o triunfo, o piloto reconhece que a campanha atual tem sido marcada por dificuldades. Ele relatou dois acidentes que lhe custaram pontos, incluindo uma situação em que foi atingido por outro competidor. Por isso, aparece em posição inferior à do ano passado na tabela, mas avalia que seu desempenho evoluiu. “Eu acredito que este ano estou muito mais consistente. Nas provas que terminei, e nas quais o carro estava em condições, cheguei sempre mais à frente”, afirmou.
Uma carreira construída em diferentes categorias
O automobilismo entrou cedo na vida de Bornemann, embora sua carreira nas pistas tenha começado depois do caminho tradicional. Filho de um piloto oito vezes campeão paranaense, ele cresceu acompanhando o ambiente das corridas. O irmão Cristiano também fez parte dessa história e atualmente integra sua estrutura.
Bornemann começou a competir aos 22 anos, sem disputar campeonatos oficiais de kart. Sua formação aconteceu diretamente nos carros, na velocidade na terra. Em 2009, conquistou o Campeonato Paranaense da modalidade. No ano seguinte, foi campeão paulista.
Entre 2011 e 2018, competiu no Campeonato Catarinense de Velocidade na Terra, período em que foi duas vezes vice-campeão estadual e também vice-campeão do Interestadual Paraná-Santa Catarina. Em 2019, migrou para o asfalto e passou a competir no Turismo Nacional, categoria na qual terminou como vice-campeão brasileiro.
Naquele mesmo ano, participou da primeira temporada da Copa HB20 no Brasil. A categoria se tornou um dos principais capítulos de sua carreira, com uma pausa em 2024, quando aceitou o desafio de disputar a Copa Truck.
A mudança exigiu uma adaptação radical. Bornemann saiu de carros de turismo com cerca de 130 a 160 cavalos e aproximadamente uma tonelada para pilotar um caminhão de cerca de cinco toneladas e quase 1.000 cavalos de potência. A temporada terminou com uma vitória e a quinta colocação no campeonato.
“Foi totalmente diferente de tudo que eu já tinha pilotado. Tive que reaprender técnicas, principalmente a parte de frenagem, porque o freio do caminhão é muito sensível”, contou.
Em 2025, o paranaense voltou à Copa HB20, agora na categoria Pro. A campanha teve pódios, disputas por vitórias e presença constante nas primeiras posições. A evolução foi confirmada na etapa de Santa Cruz, quando veio o primeiro triunfo na divisão principal.
A primeira vitória da carreira também ocupa um lugar especial na memória do piloto. Por ter crescido em uma família de campeões, Bornemann disse que o resultado ajudou a aliviar a cobrança natural de construir o próprio caminho. Outra lembrança marcante aconteceu em Tarumã, quando ele e o irmão venceram suas respectivas categorias no mesmo evento.
O automobilismo por trás do piloto
A Copa HB20 adota um formato de gestão única, com os carros sob responsabilidade da H Racing, equipe sediada em São Paulo. A proposta é reduzir as diferenças de equipamento entre os competidores, mas os custos podem aumentar em razão de acidentes e reparos.
De acordo com Bornemann, uma temporada de oito etapas custa entre R$ 450 mil e R$ 500 mil. O valor inclui a participação no campeonato, deslocamentos, preparação, profissionais envolvidos e eventuais despesas extras provocadas por batidas.
O piloto destacou que a preparação vai muito além do momento em que o carro entra na pista. Sua equipe envolve preparador físico, nutricionista, telemetrista, engenheiros, mecânicos, profissionais responsáveis pelo motor e pelo câmbio, equipe de viagens e apoio na captação de patrocínios.
O irmão Cristiano atua no rádio durante as corridas e também auxilia na busca por parceiros. A preparação física é comandada por Luciano Paula, enquanto Guilherme Carvalho acompanha a parte nutricional. Bornemann também utiliza o simulador como ferramenta de treinamento e realiza atividades de força, exercícios aeróbicos e muay-thai.
“O automobilismo é o esporte individual mais coletivo que existe”, resumiu.
A frase ganha ainda mais peso quando se considera a rotina de uma categoria com cerca de 40 carros na pista. Uma porta amassada ou um retrovisor quebrado pode parecer um problema simples, mas acidentes mais fortes exigem um trabalho intenso da equipe.
Em uma etapa de Cascavel, Bornemann bateu de frente no muro durante uma corrida. O carro foi levado para a área técnica no fim da tarde e estava reconstruído, adesivado e pronto para voltar à pista na manhã seguinte.
PROESPORTE e COPEL na continuidade do projeto
A busca por apoio começou de maneira gradual. Bornemann já tinha ouvido falar sobre projetos de incentivo ao esporte, mas considerava o processo distante e burocrático. Em uma primeira tentativa, chegou a elaborar um projeto por conta própria, poucos dias antes do encerramento do edital, mas não conseguiu concluí-lo.
A aproximação com o PROESPORTE mudou esse cenário. Por meio de reuniões e orientações, o piloto passou a entender as etapas necessárias para apresentar o projeto. Na sequência, contou com o auxílio de Diego Pereira, da Meiuca Esportes, empresa especializada em Gerenciamento de Projetos, Patrocínio Esportivo, Leis de Incentivo, Comunicação e Marketing.
A aprovação não significou a chegada imediata de recursos. Depois dessa etapa, foi necessário buscar empresas interessadas em integrar o projeto. Foi nesse processo que a COPEL passou a apoiar a carreira de Bornemann, parceria iniciada em 2025 e mantida na temporada atual.
Segundo o piloto, o suporte permite planejar melhor a temporada e direcionar recursos para áreas que influenciam diretamente o desempenho. Preparação física, nutrição, acompanhamento psicológico e equipamentos como capacete, macacão, luvas e sapatilhas fazem parte desse investimento.
Com uma verba previamente destinada ao projeto, Bornemann consegue reduzir a preocupação com a manutenção da estrutura e concentrar mais energia no trabalho dentro da pista. A live que originou a entrevista também faz parte das contrapartidas previstas, ajudando a divulgar o automobilismo e o funcionamento dos projetos de incentivo.
Cuiabá será um teste de adaptação
A próxima etapa reunirá dois desafios para Bornemann: uma pista inédita e condições climáticas diferentes das encontradas no Sul e no Sudeste. As corridas serão realizadas à noite, mas o calor continuará sendo um fator relevante. Segundo o piloto, o interior do carro pode chegar a temperaturas próximas de 60 graus.
Como a categoria não permite treinos com o carro de competição fora do fim de semana da prova, o simulador se tornou essencial. Bornemann intensificou as sessões, estudou imagens do circuito e buscou informações com engenheiros e telemetristas.
A programação prevê chegada na quarta-feira, treinos a partir de quinta e atividades decisivas entre sexta e sábado. O objetivo é recuperar terreno na classificação e continuar na briga pelas primeiras posições do campeonato.
Para o futuro, Bornemann pretende manter a evolução na Copa HB20 e considera projetos para voltar à Copa Truck. A prioridade, porém, continua sendo permanecer nas pistas e ampliar um trabalho que combina experiência, preparação e a sustentação oferecida pelo PROESPORTE e pela COPEL.
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