A ginástica rítmica brasileira viveu um fim de semana raro até para seus próprios padrões. Na Arena Carioca 1, no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, o país uniu hegemonia coletiva e brilho individual em uma mesma campanha. No centro desse cenário está Bárbara “Babi” Domingos, que conquistou o ouro no individual geral do Campeonato Pan-Americano de Ginástica Rítmica 2026 e ajudou a consolidar a supremacia do Brasil nas Américas.
Aos 26 anos, Babi foi a única brasileira a disputar os quatro aparelhos no individual. Nas classificatórias, abriu caminho para o título com 27,050 na bola e 28,550 no arco, assumindo a liderança já na sexta-feira. No dia seguinte, manteve o nível com 28,500 na fita, melhor nota do aparelho, e 27,600 nas maças. A soma de 111,700 pontos garantiu o ouro no individual geral e vaga em todas as finais por aparelho, com as americanas Megan Chu e Natalie De La Rosa completando o pódio.
A vitória em casa reforça a fase da ginasta, primeira brasileira a alcançar uma final olímpica de individual geral em Paris 2024, e hoje tricampeã pan-americana. Babi, que tem reiterado sua intenção de seguir até Los Angeles 2028, volta a usar o próprio desempenho como argumento contra o etarismo na modalidade, sustentando que sua maturidade tem sido um diferencial na consistência das séries.
Enquanto Babi assumia o protagonismo no individual, o país construía um resultado robusto por equipes. Com o trio formado por Babi Domingos, Geovanna “Jojô” Santos e Maria Eduarda Alexandre, o Brasil somou 220,400 pontos, superou os Estados Unidos por uma margem mínima (220,250) e assegurou o ouro na disputa entre seleções, deixando o Canadá com o bronze (192,400).
Jojô e Maria também emplacaram campanhas sólidas em busca de finais. Geovanna, escalada para dois aparelhos, somou pontos importantes para o time e assegurou presença nas decisões de arco e fita. Maria, catarinense, foi protagonista na bola: liderou as classificatórias com 27,250 pontos, avançando à final na primeira posição. Nas maças, apesar de erros e da queda do aparelho que a deixaram em 8º lugar na qualificatória com 24,750, ainda assim se credenciou à decisão.

Enquanto o individual e a disputa por equipes chamavam atenção na Arena Carioca 1, o conjunto brasileiro escrevia outro capítulo de domínio. No Pan de conjuntos, o país alcançou 57,450 pontos no geral, faturou o décimo título continental da história e manteve a rotina de pódios que vem desde a última década. A série de 5 bolas rendeu 28,850 pontos, maior nota da temporada 2026 para o Brasil e segunda melhor marca internacional do ano. Nas 5 fitas, novo ouro com 20,250 pontos.
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O elenco adulto de conjunto, formado por Duda Arakaki, Nicole Pircio, Sofia Madeira, Mariana Gonçalves, Maria Paula Caminha e Julia Kurunczi, voltou ao Rio dez meses depois de conquistar a prata no Mundial para confirmar o favoritismo no Pan. Sob comando da técnica Camila Ferezin, as ginastas reafirmaram o status de potência continental, agora com a experiência de vice-campeãs mundiais.
A base também respondeu à altura. No juvenil, o conjunto formado por Isabella Tenorio, Leona Torres, Leticia Rosa, Maria Luísa e Melissa Varejão somou três ouros, incluindo as finais de 5 bolas, com 23,650 pontos, e de 5 fitas, novamente com 20,250. O resultado reforça a profundidade do trabalho de formação e projeta continuidade da hegemonia brasileira no ciclo rumo a 2028.
Entre o brilho de Babi no individual geral, as finais asseguradas por Jojô e Maria, o título por equipes e a coleção de ouros do conjunto adulto e juvenil, o Pan de Ginástica Rítmica no Rio de Janeiro se transformou em uma vitrine da evolução técnica e artística do Brasil. Com arquibancadas envolvidas e clima de grande evento, a seleção deixou a Arena Carioca 1 com um recado claro: nas Américas, a referência segue vestindo verde e amarelo.

