O futebol brasileiro viveu um momento de ruptura e inovação em fevereiro de 2017. Em meio a um impasse com a televisão aberta sobre os direitos de transmissão, o Athletico Paranaense tomou uma decisão inédita e convidou o Coritiba para participar da primeira transmissão ao vivo de uma partida oficial por meio do YouTube. O episódio histórico aconteceu no clássico Atletiba disputado no dia 19 de fevereiro, na Arena da Baixada.
Sem acordo vigente com a emissora detentora dos direitos naquele momento, o Athletico propôs que o confronto fosse exibido de forma conjunta nos canais oficiais dos clubes na plataforma digital, por meio das contas “tvcap atleticopr” e “coritibaoficial”. A iniciativa representava uma quebra de paradigma no futebol nacional, até então totalmente dependente dos modelos tradicionais de televisão.
Inicialmente, o Coritiba demonstrou resistência à proposta em razão de vínculos contratuais existentes. Após ajustes e entendimento entre as partes, o clube alviverde aderiu à ideia, viabilizando a primeira exibição de um clássico da Série A do Campeonato Brasileiro em uma plataforma digital aberta ao público.
A partida contou com estrutura completa de transmissão, incluindo narração, comentários e produção própria, e atingiu cerca de 145 mil espectadores simultâneos, número expressivo para a época. A experiência, embora histórica, acabou sendo interrompida antes do fim do primeiro tempo por determinação da emissora detentora dos direitos de TV, sob a alegação de quebra contratual. Mesmo incompleta, a iniciativa já havia estabelecido um marco definitivo no consumo do futebol no ambiente digital.
Link da transmissão: https://www.youtube.com/watch?v=o9b3jrwNK9E
A interrupção e suspensão do primeiro Atletiba de 19 de fevereiro de 2017, ocorreu após a interferência da Federação Paranaense de Futebol (FPF), que impediu a continuidade da transmissão no YouTube por entender que os clubes não detinham os direitos do Campeonato Paranaense. Diante do impasse, uma nova data foi marcada para a realização da partida: 1º de março, novamente na Arena da Baixada.
Segundo relato do quarto árbitro da partida, a FPF determinou o encerramento do jogo após cerca de 30 minutos de bola rolando, com o placar em 0 a 0. A decisão foi motivada pela transmissão considerada irregular, iniciada pelos canais oficiais dos clubes sem autorização da entidade, que por sua vez sofria pressão da emissora detentora dos direitos. O episódio gerou ampla repercussão e entrou para a história como o primeiro caso de interrupção de uma partida oficial no Brasil por questões ligadas à transmissão digital.
Link da notícia: https://www.ogol.com.br/noticias/federacao-impediu-atletiba-por-transmissao-nao-detentora-do-campeonato-diz-quarto-arbitro/191050
Remarcado para a Quarta-feira de Cinzas, em 1º de março, o clássico foi realizado com sucesso e transmitido na íntegra pelos canais “tvcap atleticopr” e “coritibaoficial” no YouTube, consolidando o pioneirismo da iniciativa após a superação das barreiras contratuais iniciais.
Link da notícia: https://www.ogol.com.br/noticias/atletiba-remarcado-para-quarta-feira-de-cinzas/191079
Link da transmissão da partida: https://www.youtube.com/live/DSDgN3A_WNs?si=qbZtHhkfHmNA31Iu
O movimento ganhou força definitiva nas finais do Campeonato Paranaense. Nos dias 30 de abril e 5 de maio de 2017, Athletico e Coritiba transmitiram ao vivo e na íntegra as duas partidas decisivas do estadual, desta vez sem qualquer interferência jurídica ou contratual. As exibições alcançaram grande audiência e reforçaram a viabilidade do modelo digital como alternativa real às transmissões tradicionais.
Link da transmissão da primeira final, na Arena da Baixada: https://www.youtube.com/live/59PwMM8GKeQ?si=oy20EWdmw5sa1mcU
Link da transmissão da segunda final, no Couto Pereira: https://www.youtube.com/live/jqX6FtUG9Yw
O embate institucional liderado pelo Athletico em 2017 acelerou mudanças profundas no futebol brasileiro. A partir desse episódio, abriu-se espaço para uma nova lógica de distribuição de conteúdo esportivo, permitindo que federações, clubes e produtoras independentes passassem a utilizar plataformas digitais para transmitir competições estaduais, regionais e nacionais.
O legado daquela iniciativa se reflete diretamente no cenário atual, em que transmissões pelo YouTube se tornaram comuns, democratizando o acesso ao futebol, ampliando audiências e transformando de forma definitiva a relação entre clubes, torcedores e mídia no ambiente digital.

