O roteiro se repete e o Athletico parece ter feito dele um hábito. Em mais um capítulo deprimente da temporada, o Furacão protagonizou neste sábado (19) mais uma virada vexatória e perdeu por 3 a 2 para o Volta Redonda, no Raulino de Oliveira, pela 17ª rodada da Série B. Após abrir 2 a 0 com autoridade no primeiro tempo, a equipe caiu drasticamente de produção, entregou o resultado e escancarou a irregularidade que tem marcado sua trajetória em 2024.
O primeiro tempo parecia um lampejo do time que a torcida um dia esperou ver. Alan Kardec e Bruno Zapelli construíram a vantagem e, por alguns minutos, o Athletico esteve virtualmente no G4 da Série B. Mas bastou o intervalo para tudo desmoronar: veio a apatia, os erros defensivos grotescos e mais uma derrota impiedosa. O Voltaço virou com gols de MV, André Luiz e Ítalo, aproveitando cada brecha dada por uma defesa rubro-negra que não inspira confiança nem contra os piores ataques da competição.
A campanha do Athletico já não permite desculpas ou explicações simplistas. As falhas são recorrentes, a instabilidade é crônica e a personalidade do time, inexistente. Com o tropeço, o Furacão estaciona nos 23 pontos e já é o nono colocado, longe do G4 e mais perto de uma crise declarada do que de uma reação real. Mesmo times tecnicamente limitados, como o Volta Redonda, conseguem se impor e sair com vitórias merecidas diante de um Athletico que desliga o motor com a mesma facilidade que o liga.
O torcedor já viu esse filme demais. O segundo tempo foi mais um desfile de fragilidade emocional, lentidão e incapacidade de resposta. Se no início do ano se falava em brigar por acesso, hoje o que se discute é quando o próximo vexame vai acontecer, porque eles têm vindo em série. A temporada que prometia ser de reconstrução está sendo marcada por derrotas que escancaram um time sem alma e sem comando.
O Athletico volta a campo na terça-feira (22), na Arena da Baixada, para enfrentar a Ferroviária. O que resta à torcida é a esperança de ver, quem sabe, um time diferente em campo. Porque esse que tem entrado nos últimos jogos está longe de honrar a camisa rubro-negra.
Foto: José Tramontin/Athletico

