Thiago Wild chegou em cima da hora ao qualificatório de Roland Garros, mas não precisou de muito tempo em quadra para justificar a oportunidade. O paranaense de 26 anos estreou com autoridade no saibro parisiense, superou o taiwanês Yu Hsiou Hsu em sets diretos e garantiu a classificação para a segunda rodada do quali do Grand Slam francês.
Atual número 294 do mundo, Wild controlou o jogo do início ao fim, fechando a partida por 6/1 e 6/3 em 1h12. O brasileiro impôs ritmo com o saque, ditou as trocas de bola do fundo e praticamente não deu brechas ao adversário, hoje 213º colocado no ranking.
Na próxima fase, o desafio sobe de patamar. Wild encara o norte-americano Emilio Nava, terceiro cabeça de chave do quali e 97º da ATP. Nava vem de vitória dura na estreia, em dois tiebreaks, sobre o chinês Yunchaokete Bu, com parciais de 7/6 (7-4) e 7/6 (7-3), em 2h06. Será o primeiro confronto entre o brasileiro e o norte-americano.

O bom resultado em Paris chega em um momento de reconstrução para Wild. Desde a grave lesão muscular sofrida em fevereiro, durante o ATP 250 de Buenos Aires, o paranaense tenta retomar o ritmo e a confiança. Nas últimas semanas, disputou torneios de nível challenger, mas sem conseguir embalar uma sequência consistente de vitórias, incluindo eliminação na estreia em Zagreb na semana passada. O triunfo no quali de Roland Garros representa um respiro importante nessa tentativa de retomada.
O torneio francês, aliás, guarda algumas das lembranças mais marcantes da carreira do brasileiro. Na chave principal, ele soma duas vitórias em quatro partidas disputadas. Em 2023, Wild viveu seu melhor momento em Paris: passou pelo qualificatório, entrou embalado, eliminou o então número 2 do mundo, o russo Daniil Medvedev, na primeira rodada, e alcançou a terceira fase. A campanha só terminou em uma maratona de cinco sets contra o japonês Yoshihito Nishioka.
Na estreia deste ano, pela fase classificatória, Wild mostrou números sólidos. Quando colocou o primeiro serviço em quadra, venceu 70% dos pontos, utilizando bem o saque para abrir a quadra e comandar as trocas. Foram 21 bolas vencedoras contra 20 erros não forçados, uma relação positiva para quem busca ritmo após lesão. Nas devoluções, aproveitou quatro das oito chances de quebra e ainda saiu ileso na única oportunidade de break oferecida ao adversário.
O resultado mantém o bom início de campanha brasileira no quali de Roland Garros. Com a vitória de Wild, o país segue com 100% de aproveitamento na rodada inicial da fase classificatória. Na abertura da programação desta terça-feira, Gustavo Heide já havia avançado. Na véspera, Pedro Boscardin e João Lucas Reis também confirmaram presença na segunda rodada, ambos com vitórias em sets diretos.
Agora, Wild volta à quadra em busca de mais um passo rumo à chave principal e, quem sabe, de uma nova história marcante no saibro de Paris.

